Explorando o Sensorial #1 – O Sabor

A química das relações

A variedade dos corpos e das suas formas é o que há de mais interessante na expressão da sexualidade. Afugentar padrões pré-estabelecidos da estética abre as nossas mentes frente a um mundo repleto de possibilidades e experimentações.

É inegável que muitos dos nossos comportamentos são um reflexo do que há na natureza selvagem, como o cortejo do pavão e a disputa pela fêmea ou os feromônios que cães, gatos e formigas liberam a fim de acasalar ou para se protegerem de algum perigo.

Sendo assim, o comportamento exibido pelos seres humanos civilizados consiste em atrair ou sentir-se atraído por algum componente da atmosfera sexual que circunda o nosso objeto de interesse. O que pode ser uma iniciativa um tanto compensadora ou terrivelmente frustrante.

A chamada “química” que envolve essas relações – e as suas tentativas – quase sempre possuem um alvo específico, o que seria o fator motivador para a expressão do nosso desejo. O cabelo crespo, a cor da pele ou a barba por fazer. O cheiro do perfume ou o cheiro do cigarro. Gostos pessoais à parte, o fato é que o elemento que serve de atrativo sexual é individual e inerente às experiências prévias de cada um.

O Beijo

“Primeiro é o beijo. Quente, procurado. A língua procurando a outra e vendo se a boca combina. Se combina o beijo, meio caminho andado”.

Nestes versos quentes o cantor e compositor Cazuza, escreveu “Qual é a Cor do Amor?”, em 1989. Esta poesia não musicada, foi retirada dos seus arquivos pessoais e apresentada para nós no filme que leva o seu nome, em 2004, além de compor os 205 poemas de sua autoria no livro Preciso Dizer que Te Amo, publicado em 2001.

O beijo na boca não possui uma origem muito bem definida, mas acredita-se que na Antiguidade o beijo entre homens era comum e simbolizava uma relação hierárquica, como a que ocorria entre o servo e senhor feudal. Alguns aspectos sociais e políticos também envolveram a prática do beijo em Roma e na Grécia e a conquista de territórios por Alexandre, o Grande, também levou consigo essa prática que perdura até hoje.

O beijo, seja ele qual for, estabelece o primeiro contato e explora o ambiente desconhecido até então. Devido à sua importância, há quem o negue por considera-lo íntimo demais para relações meramente casuais e há quem o defenda como ponto de partida para desenrolar da atividade entre quatro paredes. É a partir do beijo que se projetam todas as expectativas do porvir e prepara o corpo para a enxurrada de alterações fisiológicas e emocionais que decorrem desse ato.

 


Ensaio Fotográfico - Rodrigo. Ensaio sensual masculino e nu artístico em São Paulo.Rodrigo Correia – Colunista da Sereno Fotografia

Neurocientista em formação, é um verdadeiro aficionado por temas que permeiam a psicologia e a sexualidade humanas. Descobriu na meditação uma maneira de encontrar a felicidade plena. Seus interesses em filosofia, cinema e literatura tentam sanar (ou estimular) as suas próprias inquietações. Leão com ascendente em Leão, aguarda ansiosamente pela chegada dos irmãos de outro planeta.

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