Desmistificando a nudez

O Cotidiano na Antiguidade

A nudez como parte da vida remonta do período da Grécia antiga. Naquele tempo, os deuses e os homens comuns eram representados por figuras totalmente humanas e despidas, evidenciando suas curvas e órgãos genitais para apreciação do público. A imagem do corpo nu era vista com naturalidade nas obras de arte e até mesmo o povo não conhecia o conceito de pudor quando se tratava de cobrir o corpo com inúmeras peças de roupa.

Com a chegada da Idade Média e a imposição do cristianismo no Ocidente, a nudez começou a ser vista como tabu e as divindades, agora Santos, se tornavam seres totalmente assexuados, puros e angelicais, trazendo à sociedade a ideia de que o corpo era por si só a representação do pecado.

O Humanismo Renascentista

Com a chegada do Renascentismo italiano, no início da idade Moderna, essa ideia veio à tona, porém sob uma outra perspectiva. Tornou-se possível representar o corpo humano, mas agora de uma maneira mais artística e menos erotizada.

Nas telas e nas esculturas, as curvas eram acentuadas, porém, a arte já não era exprimida com tanta liberdade. Os órgãos sexuais eram escondidos do apreciador, traço que talvez simbolize o nu artístico nos tempos atuais, aguçando o desejo de quem os observava. Essa tendência acompanhou a evolução das sociedades e o tabu que circunda esse tema ainda está longe de perder o seu espaço. É o que podemos ver, por exemplo, nas telenovelas, onde a imagem do corpo nu choca o expectador e vira tema das rodas de conversa por semanas a fio.

Por que ainda existe essa censura de se mostrar algo que é tão humano? A resposta está na educação que nos é dada e nos conceitos religiosos que nos impuseram desde o início da nossa formação. Ficar pelado não pode. É imoral, é sujo e desrespeitoso.

O corpo como ferramenta

A nudez hoje faz parte de um contexto artístico, político e de estilo de vida, ganhando diferentes representações a depender do ambiente social em que está inserida. Pessoas lutam por seus direitos usando o fato de estarem nuas como simbolismo, artistas despem-se como parte integrante da alma do personagem e o naturalismo como estilo de vida ganha cada vez mais adeptos.

Assim, seguindo a premissa dos tempos modernos e bebendo na fonte da Antiguidade Clássica, filmes e peças de teatro mostram tudo aquilo que TV aberta se propõe a esconder a sete chaves. Para citar como exemplo temos os polêmicos filmes: Salò ou os 120 Dias de Sodoma (1975) e Calígula (1979), em que os diretores não medem esforços ao mostrar a natureza humana na sua forma mais escancarada, visceral e, por vezes, bastante cruel. Não precisamos ir tão longe se quisermos analisar a realidade brasileira. Os filmes Um Copo de Cólera (1999), A Febre do Rato (2011) e Tatuagem (2013), expõem, respectivamente, a nudez do dia-a-dia de um casal, um ménage à trois e uma peça de teatro com bundas sendo mostradas ao som de repetições provocativas “Tem cu! Tem cu! Tem cu!”.

Isso mostra que a naturalidade com que tratamos o corpo nu é ainda restrita a grupos específicos que não veem esse tema como algo proibido ou pecaminoso, assumindo com convicção, que obras desse cunho são a verdadeira representação artística da beleza humana.


Ensaio Fotográfico - Rodrigo. Ensaio sensual masculino e nu artístico em São Paulo.Rodrigo Correia – Colunista da Sereno Fotografia

Neurocientista em formação, é um verdadeiro aficionado por temas que permeiam a psicologia e a sexualidade humanas. Descobriu na meditação uma maneira de encontrar a felicidade plena. Seus interesses em filosofia, cinema e literatura tentam sanar (ou estimular) as suas próprias inquietações. Leão com ascendente em Leão, aguarda ansiosamente pela chegada dos irmãos de outro planeta.

Deixe o seu comentário!